quarta-feira, 28 de maio de 2008

NOVELA: A DEUSA VENCIDA



















A DEUSA VENCIDA 1964 para relembrar a primeira superprodução da telenovela brasileira: A Deusa Vencida, grande sucesso de Ivani Ribeiro exibido pela Excelsior. A novela tinha a São Paulo de 1895, final do século XIX, como pano de fundo. Um magnífico cenário foi montado e um primoroso guarda-roupa foi especialmente confeccionado. Além disso, contou com trilha sonora própria e teve sua história transformada em romance. O fidalgo Lineu Maciel (Altair Lima), de tradicional família paulista, perde toda sua fortuna no jogo.

O problema poderia ser resolvido com o casamento de sua filha, a bela Cecília (Glória Menezes), com o jovem Edmundo Amarante (Tarcísio Meira), filho do rico comerciante Jorge Amarante (Ivan Mesquita). Mas o avarento pai de Edmundo odeia a família Maciel, ainda mais por estar arruinada, e promete deserdar o filho se o casamento acontecer. Porém Cecília é cortejada pelo próspero fazendeiro Fernando Albuquerque (Edson França), que promete saldar toda a dívida de Maciel se desposar sua filha. Na esperança de fugir com Edmundo após se resolver a situação do pai, Cecília consente em casar-se com Fernando e vai morar em sua fazenda, enquanto Edmundo, desiludido, vai concluir seus estudos na Europa. Na fazenda dos Albuquerque, Fernando aceita manter um casamento de aparências com Cecília, pois sabe que ela não o ama.


O retorno de Edmundo da Europa traz mudanças na vida de todos. Ele agora é noivo de sua prima Malu (Regina Duarte), por compaixão, pois sabe que ela sofre de uma doença incurável e que tem pouco tempo de vida. Essa união serviu para distanciar ainda mais Cecília de Edmundo, que agora já vê Fernando com outros olhos. Mas Fernando é um homem de comportamento misterioso e que mantém um segredo em sua fazenda. Não longe dali vive Hortência (Karin Rodrigues), antiga paixão de Fernando, uma mulher enlouquecida pela vida e que sofrera uma desilusão amorosa com Lineu Maciel. Na verdade, o casamento de Fernando e Cecília fazia parte de um plano de vingança do rapaz para humilhar Maciel.

Esses fatos e muitos outros vêm à tona com cartas anônimas, endereçadas a membros das famílias Albuquerque, Maciel e Amarante. Para desmascarar o autor das cartas, todos se reúnem na fazenda dos Albuquerque, onde Hortência aproveita-se da situação para atentar contra a vida de Lineu Maciel. Mas ela acaba morta, vítima de sua própria loucura.Sem mais vinganças e rancores, Cecília descobre-se apaixonada por Fernando e aceita os seus sentimentos.

Enquanto isso, Edmundo descobre o autor das cartas anônimas que atormentavam a todos, mas nega-se a revelar. Era Malu, que confessa diante dos fatos ocorridos. Ela descobrira por acaso sua doença ao mesmo tempo em que via seu verdadeiro amor, Edmundo, envolvido com Cecília. Para desmoralizar a todos e ter Edmundo para si, Malu escrevera as cartas.

A Deusa Vencida foi a primeira novela de Regina Duarte, trazida à TV pelo diretor Walter Avancini. Também foi o primeiro trabalho na televisão de Ruth de Souza.Uma discórdia entre Tarcísio Meira e Edson França, na disputa pela primazia nos créditos, acabou gerando uma polêmica. Golpe promocional ou não, o nome de Edson ficou fora da apresentação a pedido dele.

Em 1980, Ivani Ribeiro reescreveu A Deusa Vencida para a TV Bandeirantes. Elaine Cristina, Agnaldo Rayol e Roberto Pirillo viveram os papéis correspondentes à Glória Menezes, Tarcísio Meira e Edson França na primeira versão.

TV Excelsior - 2ª a 6ª - 19:30
Patrocínio de "Kolynos"

Elenco: Edson França-Fernando, Tarcísio Meira - Edmundo, Glória Menezes-Cecília ,Regina Duarte-Maria Luiza ( Malú).
Técnica
Texto original - Ivani Ribeiro Produção e direção - Walter Avancini Assistente de direção - Valentino Guzzo
Direção de TV - David Grimberg
Iluminação - Luiz Tarragó

Foi nesta novela, a "Deusa Vencida" que estreou a garota dos comerciais, Regina Duarte, interpretando a vilã Maria Luiza (esta página que expusemos aqui pertence a Revista "7 Dias Na TV", n.º 671 - de 5 a 11 de julho de 1965, propriedade da "Setedias Editora Ltda.").

E foi nesse processo que David Grimberg foi considerado pelo Brasil como o "Papa das Novelas". Ele também foi responsável por descobrir não só Regina Duarte, mas também Francisco Cuoco, onde em "Redenção" fez sua maior participação. David estava ali descobrindo novos talentos de nossa televisão.
Outra face curiosa deste grande profissional de nossa televisão, foi a de David teve grande participação nos Festivais da Excelsior (aliás, estes foram os primeiros festivais brasileiros, antes mesmo do que os da Record!). Citaremos aqui um deles, que foi gravado no Guarujá e Grimberg ajudou Ellis Regina entrar no local da transmissão, pulando o muro dos fundos, pois não era possível atravessar a multidão defronte do hotel.

Aqui, pela primeira vez, vou corrigir uma injustiça de décadas. Algo que pesa e muito, mas é sim a pura realidade do que aconteceu. Quando a Excelsior estava para falir, no ar puniram a pessoa que aqui biografo, como se ele fosse um dos maiores culpados pela falência do canal 9 de São Paulo, sem citar nenhum dos feitos que o mesmo fez para salvar esta rede de emissoras. David Grimberg, entre 69 e 70 fez de tudo para a Excelsior resistir e continuar.

A emissora não faliu antes pela arrecadação das campanhas da emissora, que foi considerada a "Dama da TV Brasileira". Em 1968, de volta à televisão paulistana, ao lado de David Grimberg na Rede Excelsior, meu tio Luiz ajudou na coordenação dos programas e foi testemunha da força deste homem da mídia. David foi um dos poucos que resistiu com a Excelsior até o final, fazendo com que a teledramaturgia continuasse viva até o último dia de sua programação. Só que, não só para teledramaturgia, a censura militar e os altos gastos da Excelsior fizeram a emissora entrar em decadência e falir. A Excelsior, por exemplo, ao invés de comprar 10 pacotes de algodão, comprava um lote inteiro de 100 pacotes. Talvez tenha sido o mesmo problema da falência da Rede Manchete. Altos gastos!

Luiz passou pelos dois incêndios da Excelsior em 1970: o primeiro nos estúdios da Vila Guilherme que iniciou-se durante um programa apresentado pelo narrador esportivo Peirão de Castro. E o segundo tomou conta do auditório da Rua Nestor Pestana, no atual Teatro Cultura Artística, aonde ficavam os transmissores do canal em São Paulo. Era triste ver que uma televisão com a potência da Excelsior morria, esta que talvez seja a base do "padrão Globo de qualidade", logo explico.

Um comentário:

Nelma disse...

Muita boa essa reportagem, pois na época que passou a Novela A DEUSA VENCIDA, eu estava com dez anos de idade. Marcou muito pela beleza suave de Regina Duarte, enfim , todo drama da novela. Eu era novinha e queria sempre ajudar aatriz corendo para tras da televisão( achava eu que os artistas estava ali atras).Nossa fiquei muito feliz em relembrar o que acompanhei (A namoradinha do Brasil crescer)